1. Messianismo. É a mania de fazer planos pastorais, sem
consultar a vontade de Deus. Daí vem o estrelismo das pessoas que se projetam
a si mesmas. Deus fica em segundo lugar, serve de estepe para que nossos
planos não falhem, segundo nossa vontade, nossas ideologias e nossas óticas.
2. Ativismo. Pouca oração e muita agitação. Vale o que eu faço e
não o que eu sou. A pastoral vira profissão, burocracia. O ativismo leva à
impaciência apostólica. É fruto do vazio interior e da vaidade pessoal.
3. Perfeccionismo. Busca-se o êxito, o sucesso, o resultado. A
confiança não está na graça de Deus mas nos planos e ações bem escritas nos
livros pastorais e nas pessoas envolvidas. Tudo deve dar certo.
4. Mutismo. Consiste em calar verdades, omitir correções e falar
só o que agrada. As grandes verdades silenciadas são: a castidade, o
purgatório, o inferno, a infidelidade conjugal, a renuncia. O que importa é
agradar. Por isso, há falta de profetismo.
5. Pessimismo: Prega-se problemas, incertezas, azedumes e
queixas. A Palavra de Deus não é proclamada. No seu lugar estão as dúvidas,
suspeitas e vazios do pregador, do catequista, do pastoralista. Joga-se sobre
o povo, problemas pessoais não resolvidos.
6. Falta de esperança. É o pecado do reducionismo que consiste em
reduzir a esperança, não crer na ressurreição, na eternidade, na vida futura.
Tudo fica reduzido a este mundo, à matéria, à ciência experimental. Sem
esperança não há consistência.
7. Burocracia. As pessoas são deixadas de lado e esquecidas.
Cumprem-se as leis, marca-se o ponto, tudo vira pura burocracia eclesiástica
e administração. O burocrata cumpre o dever, mas abandona as pessoas,
os pobres, os sofredores. O que importa é o funcionamento da máquina
eclesial.
8. Discriminação. Uns são privilegiados e outros descartados. Uns
bem recebidos, outros rejeitados. Faz-se acepção de pessoas. Os ricos, os
amigos, os privilegiados têm vez, os outros são discriminados.
9. Sectarismo. É a falta de abertura, de pluralismo e de
ecumenismo. Sectário é que secciona, busca o que lhe interessa e agrada. É o
grupismo. Só meu grupo, minha espiritualidade, meu movimento, minha pastoral,
meu interesse é que vale. O sectário ignora o outro, o diferente e o
despreza, critica e combate. Falta o espírito de comunhão e de unidade. É a pastoral
de gavetas e sem articulação que acaba no paroquialismo.
10. Carreirismo. É quem busca promoção. Fecha-se na sua
experiência e desfaz a experiência dos outros. Eu é que estou certo os outros
estão errados. O carreirista acha-se insubstituível e infalível. Não solta os
cargos. Perpetua-se no poder. É grudado na sua função. Mata a pastoral pelo
apego ao poder. Não quer mudança nem transferência. Não dá lugar para os
outros.
11. Individualismo. É quem espera gratificações, recompensas,
aplausos e louvores. Precisa toda hora de elogios, pois do contrário cai em
aflição ou na crítica azeda. O que vale é a sua imagem, sua fama, a
projeção de si.
12. Perda da alegria. Faz tudo por obrigação, cai na rotina, vive
na superficialidade. Não tem entusiasmo perdeu a alegria e o humor. Vem a
amargura e a dramatização da vida.
13. A mesmice. É quem perdeu a criatividade, caiu na instalação,
na mediocridade. Faz tudo sem amor, instala-se nos próprios defeitos e os
justifica. Tem explicação para todos os seus erros e desleixos. Não muda e
não se dispõe a mudar.
14. Vitimismo. É quem se acha injustiçado, rejeitado e por isso
vive na apatia, arranja doenças, apega-se a defeitos psicológicos para
justificar o vitimismo. Vive mais cuidando de si do que da pastoral do rebanho.
15. A inveja pastoral. Consiste em menosprezar o trabalho dos
outros, aumentar seus defeitos, competir e tratar os outros com cinismo. O
invejoso procura bloquear o sucesso alheio. Acontece aqui a “contradição dos
bons”, ou seja, não recebemos apoio e incentivo dos nossos colegas, amigos,
irmãos de caminhada, pelo contrário, somos invejados, incompreendidos e
criticados.
Para uma sadia evangelização precisamos da “conversão pastoral” pela
qual venceremos as sombras pastorais, como aponta o Documento de Aparecida.
Dom Orlando Brandes Arcebispo de Londrina |
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Sombras Pastorais
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário